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Pós-Apocalipse "Mágico"

Mashup fantástico de Fury Road e Adventure Time

O gênero Pós-Apocalíptico: a retratação de uma civilização pós-colapso social, devastada ou as vezes, extinta.

Outrora o mundo que vivemos, acabando por ser destruído por nós, ou algo criado por nós; muitas obras desse gênero retratam isso; tem essa crítica sutil às coisas do nosso cotidiano que vão destruído o mundo e a nós pouco a pouco. Seja isso o próprio consumismo desenfreado sutilmente colocado nos filmes de também gênero zumbi (se é que pode ser chamado de gênero, ou quem sabe, sub-gênero), de George A. Romero, ou as guerras, por, exemplo, petróleo, água... Como na FUCKING QUADRILOGIA MAD MAX de George Miller e Byron Kennedy! Mas enfim, eu, aqui, hoje lhes trago 3 obras pós-apocalíptica que eu sempre encontrei uma certa semelhança entre elas, não sendo só pelo simples e evidente fato de envolver fantasia e/ou ficção-científica, mas da forma que o mundo pós-colapso que apresentam.

Vamos lá:

Adventure Time
Começando por um dos desenhos mais populares atualmente: Hora de Aventura. Exibido no Cartoon Network desde 2010, nos episódios da série, somos apresentados ao mundo de Jake e seu amigo Finn, um cachorro e um garoto respectivamente; acompanhamos suas aventuras ao redor do mundo de Ooo, descobrindo e fazendo amigo e inimigos como a Princesa Jujuba, Marceline, a Rainha Vampira, o Rei Gelado, princesa Caroço, entre outros.

Parece até ser um desenho bobo e infantil... E é, muitas vezes, mas, apesar de não ser gostar muito da série ou assista-la tanto, tenho que admitir que a mitologia por trás da série é muito interessante.

Como eu disse lá em cima do texto, esse desenho envolve o pós-"apocalismo" e, nitidamente fantasia. A terra de Ooo, aparentemente, nada mais é, do que a nossa Terra mil anos após um holocausto nuclear, que para os habitantes dessa terra, ficou conhecida como "A Grande Guerra do Cogumelo". Na própria abertura da série, há uma paisagem onde bombas atômicas estão soterradas no chão. Não bastou isso, alguns episódios, se não me engano, mostram o passado de alguns personagens, tais como o Rei Gelado, que em tempo bem antes do surgimento de Ooo, era um professor de arqueologia que achou uma coroa do mal, que acaba por lhe tirar toda sua sanidade e a aparência normal dele, mas lhe dando poderes mágicos, incluindo, pode de gelo. Ele não é necessariamente um vilão, apenas uma vítima da coroa, e esse tipo de desenvolvimento de personagem é muito legal inclusive.


Mas enfim, ainda sobre a terra de Ooo, aparentemente, todos os habitantes dali, com exceção de Finn, são mutações causadas pelo holocausto; princesa Jujuba e seu reino, Jake, que tem poderes mágicos que lhe fazem aumentar de altura ou largura (meio que como o Homem-Borracha), os pinguins... São o resultado da tal bomba que explodiu, que pode ter tido ou não, envolvimento mágico; existem teorias que um vilão recorrente, o Lich, seria o causador de tudo isso, e ainda por, antes mesmo disso tudo, já existia a coroa do Rei Gelado, livros mágicos, possivelmente dimensões alternativas como uma semelhante ao inferno... A "magia" certamente já existia no nosso mundo pré-holocausto.

Realmente existe muita coisa nesse desenho que pode ser dita nesse post, ou teorizada, e geralmente muitas informações sobre o mundo desse desenho são reveladas a cada episódio. Vale uma pesquisada no google pois existem bastantes posts sobre isso, além de teorias sobre várias acontecimentos não explicados na série.

Wizards


Ralph Bakshi é um diretor norte-americano. Talvez o não conheça pelo nome, mas ele escreveu e dirigiu o filme do contracultural Fritz: Fritz the Cat (1972), adaptação da banda desenhada de Robert Crumb, e que foi o primeiro filme de animação a receber uma classificação X nos EUA (basicamente +18), e acabou sendo o filme de animação independente de todos os tempos.
Em 1978, usando a técnica da Rotoscópia, acabou realizando a adaptação da Sociedade do Anel e As Duas Torres em Lord of the Rings.

É um diretor muito bom e merecia um post só pra ele. Mas enfim; em 1977, Bakshi, que antes só havia feito filmes de animação urbanos, decidiu produzir, escrever e dirigir Wizards.

2 mil anos depois de bombas atômicas terem dizimado grande parte da humanidade, e dos poucos humanos restantes se convertidos em mutantes hediondos que vivem nas "Terras Más", o longo sono das fadas, elfos, anões; verdadeiros ancestrais do Homem, acabou por cessar, ele voltou a habitar as "Terras Boas".Vivendo felizes e liderados pela rainha das fadas, Delia, a grande festa dos 3.000 anos de paz estava chegando. Nesse dia, Delia acabou por dar luz a dois gêmeos especiais; magos, dois pólos opostos: Avatar, o bom, e Blackwolf, o mal.

Após a morte de Delia, Blackwolf sendo a encarnação de tudo que mal, ficou feliz ao saber disso, decidindo governar agora no lugar outrora de sua mãe. Mas Avatar o confrontou, e sendo mais poderoso, o derrotou.

Blackwolf fugiu para as Terras Más, e lá, like a Immortan Joe, achou objetos e símbolos de poder outrora do nosso mundo ("a antiga tecnologia"), utilizando-os como forma de influenciar os habitantes dali a lutarem ao seu lado contra o reino de Avatar.

Fan art feita por kaspired
Com um orçamento limitadissímo e utilizando metáforas para o facismo e a ambiguidade moral da tecnologia, Bakshi provou também ser um ótimo contador de estórias de fantasia (embora não necessariamente infantis, até porque é só olhar o clímax do filme ou a personagem Elinore), e começou aqui a experimentar a técnica da rotoscópia.

O filme seria originalmente intitulado "War Wizards", mas por conta de um filminho B da época chamado Star Wars, acabou ficando apenas "Wizards".
Aliás, por recomendação de George Lucas, que era fã Bakshi, Mark Hamill participou do filme dublando um personagensinho: Sean.

Um ano depois, Bakshi dirigiu O Senhor dos Anéis, como citei acima, e em 1983 produziu e dirigiu Fire and Ice, outro filme de fantasia ao melhor estilo das obras de Robert E. Howard.

OBS.: O design do Bender de Futurama não é basicamente baseado no robô assassino-assecla de Blackwolf, Necron 99?

The Dark Tower

Explicar o universo da proclamada magnum opus de Stephen King é algo complicado (ainda mais levando em consideração a péssima capacidade do autor desse post em resumir) e levará a bastante spoilers. Mas como as obras pós-apocalípticas que quis demostrar nesse post seguem um padrão (caso alguém ainda não tenha reparado ainda), um contexto semelhante, então vou tentar me dissertar um pouco sobre essa série literária de 7 livros... Ou 8, ou 7,5... Mas enfim...

"Ka": "Destino"
Originalmente publicado em 5 contos entre 1978 e 1981, e no ano seguinte em formato de livro, "A Torre Negra: O Pistoleiro" iniciava-se com a seguinte frase: "O Homem de Preto fugia pelo deserto, e o Pistoleiro ia atrás". E assim começava, e consequentemente terminava esse romance maravilhoso. Logo de cara você questiona aquela mistureba toda do livro: um ambiente de velho oeste americano, mas envolvendo demônios, magos, súcubos e música dos Beatles.

Ao todo a série é uma mistura de faroeste norte-americano com referências da mitologia Arthuriana e do universo de Tolkien, e filmes como 2001 - A Space Oddity e a trilogia Mad Max.
Mas vamos por parte explicar (se ao menos eu acho que consegui explicar A Hora de Aventura que não assisto direto, imagine uma série que eu já li).

Roland Deschain, de Gilead
Roland Deschain, vulgo "o pistoleiro", é o último membro vivo de uma ordem de cavalheiros portadores de revolveres e o último da linhagem de Arthur Eld (ex-guardião da famigerada Torre Negra e outrora o maior de de todos os heróis do Mundo Médio, o universo onde Roland vive).

A juventude de Roland foi nesse mundo que voltou a uma sociedade feudal: Gilead, onde compartilha características tecnológicas e sociais com o velho oeste americano e ao mesmo tempo sendo "mágico". Ou seja, ainda é um mundo primitivo, tendo como por exemplo, papel ou vidro sendo relíquias, algo raro de se encontrar nesse mundo ainda contendo guerras entre facções.

O mundo simplesmente seguiu em frente.
E Roland, após muitas tragédias em sua vida (exemplos como, sua mãe ter traído seu pai com o que seria um dos seus maiores nêmesis: o tal Homem de Preto; a morte de seu falcão em uma luta para se provar um Pistoleiro, e tendo conseguido ser o pistoleiro mais jovem "a se formar" (é tipo Harry Potter com o Quadribol só que mais visceral); seus melhores amigos e a única mulher que ele amarrou tendo morrido; e a mente por trás de toda desgraça em sua vida sendo seu "irmão", digamos assim), também seguiu em frente à procura de algo. O nexo de todos os mundos: A Torre Negra.

O Rei Rubro
O centro de todos os universos, para resumir. Esses universos incluem mais especificamente, outras obras do King, tais como "It - Uma Obra Prima do Medo" (a criatura em si), "The Stand" (tendo o personagem Randall Flagg um elemento importante tanta nesse livro quanto na "Torre..."), "Insomnia" (um personagem muito essencial no último livro da "Torre...") e "Salem's Lot" (esse também incluindo um dos protagonistas na "Torre..."), entre outros.

Ao longo dos livros, em sua jornada, Roland se depara com outros personagens que acabarão por ser seu bonde Ka-tet (Na língua fictícia da série, Ka significa "destino", e Ka-tet "um grupo de pessoas unidas pelo destino. Enfim, ele forma sua versão da Sociedade do Anel): Jake Chambers, um garotinho dos anos 70 que acaba por ser o filho simbólico de Roland;

Eddie Dean, um homem dos anos 80 viciado em cocaína;

Odetta/Detta/Susannah Holmes, uma mulher negra ativista dos anos 60 e que sofre de dupla personalidade - talvez até tripla, quarta...- e esquizofrênica, AND tem as 2 pernas amputadas;

Oy, um trapalhão, uma mistura de cachorro com guaxinim, teoricamente.

E padre Callahan, personagem vindo de "Salem's Lot" (que tem um conhecimento muito interessante sobre certas criaturas das trevas, mas para quem não leu esse livro ainda, não darei spoilers... Spoilers mesmo vocês terão na "Torre..." em si sobre o desfecho do personagem pós-"Salem's..."), que é alcoólatra e sua fé é conturbada.

Todos eles (com exceção do Oy) vieram de nosso mundo, através de portas "mágicas" (literalmente portas de madeiras (hum... Já vi esse conceito em algum filme de animação...) ou acabaram morrendo nesse (nosso, no caso) mundo e foram parar no universo/mundo de Roland, o Mid-World.

Como foi o destino que propôs esses elementos interessantes à Roland, ele aceita, ou eles aceitam acompanha-lo em sua jornada. Por outro ponto de vista você pode considerar que ele os sequestrou, embora os tenha ajudado em relação a seus medos e problemas, e eles com ele. O Ka-Tet de Roland é essencial para Roland se torna mais sentimental (parece clichê, mas é bem interessante) e o ajudar a chegar a seus destino: A Torre.

Em seu caminho, Roland encontra pessoas venerando bombas de posto de gasolina como algo divino; animais ciborgues; um trem com IA genocida; uma cidade abandonada dominada por semi-mutantes; mutantes vivendo em cavernas; androides com rosto de lobo que portam sabres de luz e pomos de ouro explosivos e montados à cavalo que sequestram criancinhas de uma vila... É. Insano. Mas nada disso é mais insano do que a meta-linguagem inserida nos últimos livros da série.



Se você acha que "As Crônicas do Gelo & Fogo" está demorando muito para acabar, então você não conhece essa série e seus fãs que esperaram por essa série chegar ao fim. Contado a partir da 1ª publicação em livro de "O Pistoleiro" em 1982, foram 24 anos esperando pelo desfecho da estória.
Por sinal, como me referi no último parágrafo sobre os últimos livros da série, mais especificamente os três lançados em 2003-2004, esse são justamente os mais criticados por conta de certos elementos inseridos na série e desfechos insatisfatórios a alguns personagens.

Embora tenha dado bastante spoilers sobre a série, espero que tenha atiçado a curiosidade de você, caro leitor, em relação a essa série fantástica espetacular.

Últimas coisas relacionadas a série que foram lançadas foram uma prequel da saga em formato de HQ, contado a juventude de Roland e seu Ka-Tet original, e "O Vento Pela Fechadura", um livro escrito pelo próprio King e que se situa entre os livros 4 e 5 ("Mago e Vidro" e "Lobos de Calla") da série.

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Sinopse do PRIMEIRO livro canônico de Star Wars!

Olha que beleza, meus caros! O primeiro livro da série Star Wars que é canônico ganhou uma sinopse.
O livro é o primeiro de 20 edições, isso mesmo VINTE EDIÇÕES! Que iram cobrir os 30 anos de história passados entre O Retorno de Jedi e O Despertar da Força.

O nome da saga será Jornada para Star Wars - O Despertar da Força, e o nome do primeiro livro é Consequência (Aftermach) ambos em tradução literal.

Curtam a sinopse, que parece precursora de algo muito bom em primeira vista

"A Aliança Rebelde, agora uma nascente Nova República, usa sua vantagem e caça as forças inimigas espalhadas antes que elas se reagrupem. Sobre o remoto planeta Akiva, uma demonstração do poder do inimigo se desenrola. Sozinho em uma missão de reconhecimento, o piloto Wedge Antilles vê os destróiers imperiais se juntando como aves de rapina, mas é pego prisioneiro antes que possa avisar os líderes da Nova República.

Enquanto isso, na superfície do planeta, a ex-integrante rebelde Norra Wexley retorna para seu mundo natal, cansada da guerra e ávida para reencontrar o filho perdido. Mas quando Norra intercepta a mensagem de socorro de Wedge, ela percebe que seu tempo como uma guerreira da liberdade ainda não chegou ao fim. O que ela não desconfia é que o inimigo está perto e que sua missão será tão decisiva quanto perigosa.

Determinados a preservar o poder do Império, a elite imperial sobrevivente se junta em Akiva para uma reunião secreta de emergência, para consolidar suas forças e tentar um contra-ataque. Eles só não contavam com Norra e seus novos aliados - o filho dela, gênio tencnológico, um caçador de recompensas Zabrak, e um desertor do Império."

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Goosebumps - Comédia e Fantasia no primeiro trailer do filme de Jack Black



Então, meus caros. Jack Black está estrelando um novo filme, que é baseado em uma saga de livros dos anos 90 chamada Goosebumps.




O Trailer que é recheado de ação, comédia e ótimos efeitos especiais (melhor lobisomem depois de Van Helsing) mostra Jack Black como R.L. Line, um escritor que aprisiona monstros nos livros que escreve.

Bom, eu gostei bastante do trailer, só espero que não façam como fizeram em O Sétimo Filho, que tinha um grande potencial e foi pro lixo.

Segue o divertido trailer, o filme estréia dia 3 de Setembro:


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O Homem Sem Signo (aquele livro de ação e fantasia, que te faz lembrar muito Cavaleiros do Zodíaco)

Isso sim que é música... E infância também.

No mundo de Maciaan as pessoas crescem ouvindo lendas sobre centauros, gigantes e misteriosos monstros do mar. De todas as criaturas fantásticas, os mais perigosos são os novos Cavaleiros de Ouro filhos do zodíaco , humanos que carregam em suas costas a marca da constelação que guia suas ações. O pai de Amato é o filho de Capricórnio e carrega consigo uma terrível maldição. Em "O homem sem signo", acompanhamos o crescimento de Amato e sua luta para quebrar a maldição do pai, que só pode ser desfeita com a morte dos outros onze filhos do zodíaco. Para encontrar os seus alvos, Amato precisará viajar para os lugares mais longínquos, lutar contra rebeldes, digladiar em arenas e provocar guerras entre reinos. A vontade do herói é posta à prova quando grandes amigos se revelam filhos do zodíaco, e a decisão de salvar o pai não parece mais tão correta. Mergulhe nesse mundo fantástico e descubra quem é o homem sem signo.

Acima, obviamente vocês acabaram de ler a sinopse do mais novo livro de fantasia e ação escrito pelo brasileiro Daniel Monteiro.
Criatividade é o não falta nesse livro. Desde o mundo de Maciaan, aos 2 reinos do leste e do oeste, até as lendas sobre centauros, homens-peixes, gigantes, e os temíveis filhos do zodíaco, ou, "caídos do céu". Bem, claro que boa parte do livro, dá pra perceber que o autor se inspirou bastante em Cavaleiros do Zodíaco (pela sinopse percebe-se, e ainda mais quando tem o misterioso... Saga.) e Hokuto no Ken (pelas marcas da constelações em suas costas e a história de fundo da personagem recorrente, Katia), respectivamente, um dos melhores animes e um dos melhores mangás desse planeta.
O livro que começa simples, se torna uma leitura ótima, misturado a ação, fantasia e tons políticos, envolvendo uma guerra entre os 2 reinos se aproximando, apenas de faixada por um desejo (ou missão) maior.
Ilustração por L.T.R. Stocco
Um ponto negativo que tem nas outras críticas do livro, é o excesso de personagens, de como são pouco memoráveis, ou até difíceis de se lembrar em outras partes do livro. Bem, não encontrei essa, "dificuldade", apesar de que sim, eu tive que forçar um pouco a memória para me lembrar de alguns personagens que eram de outros capítulos e acabaram aparecendo nos últimos capítulos. Ainda falando sobre os personagens, Amadeu, "o Imortal de Câncer", foi o melhor do livro, junto com Atreio (... Já ouvi esse nome em algum outro livro...), o filho de Sagitário, se não me engano, e Scorpio, o filho de... É obvio não? Já Amato, acaba por ser um personagem desprezível, e se tornando meio sádico no meio da estória, além de sua motivação ser pouco explicada.
Claro, publicado independentemente, tem alguns erros de português, mas poucos, nada muito "cara, você não passou nas provas de português né?".

"O Homem Sem Signo", é uma ótima leitura pra quem curte ação, fantasia, e violência. Imaginar isso num filme é legal, principalmente pelas partes do duelo no Impacta, ou nas partes finais do livro (que por sinal, o final é bem "WTF?")

Inicialmente lançado como e-book para Kindle na Amazon, foi feita uma versão impressa pelo site Clube dos Autores.

Sobre Hitchcock, Truffaut e as melhores coisas da galáxia

Atualmente, basta abrir qualquer livro de cinema que é quase impossível que Sir. Alfred Hitchcock não seja citado. É só dar uma fuçada em qualquer site de crítica ou matérias sobre a sétima arte que o Mestre do Suspense é mencionado em algum lugar. Mais, até: se uma pessoa se diz cinéfila e não viu algum filme dele, é logo xingada de poser (da minha parte eu garanto). 

Mas nem sempre foi assim. E é ai que entramos no tópico do livro Hitchcock/Truffaut e as melhores coisas do Universo.

[justificando meu atraso cinéfilo de só ter lido Hitchcock/Truffaut agora] Eu sempre quis ter o livro em mãos. Mas, sabe como é... raridade, preço e tals. Mas, felizmente, ganhei de presente. Minha empolgação foi algo mais ou menos parecido com ISSO.  


Enfim, nada disso interessa. A grande questão aqui é Hitchcock. E Truffaut. E o Cinema. Tudo isso em sua mais pura forma. 

Como disse, "nem sempre foi assim". Pois é, o atual mito que é Hitchcock, em sua época, foi severamente criticado em diversos filmes. O sucesso era apenas com o público, as massas. O que o levou a ser chamado de "cineasta comercial, não arte". Manja aquela velha dicotomia (imbecil) de cinema entretenimento e arte?

Só que a crítica francesa (pessoal da Cahiers du Cinema) fez questão de dar o verdadeiro tratamento que o gorducho merecia. E entre eles estava, provavelmente, o mais acalorado e fanático fã da obra de Hitchcock: Truffaut. Já na introdução ele comenta de vários capítulos que chegou a discutir horas e horas com os críticos americanos, querendo convence-los de todas as formas. Chega até a ser engraçado ver o francesinho puto falando "e ele me falou o seguinte absurdo" ou "um comentário tão bobo que" e coisas assim. 

Mas mesmo assim a subestimação do cineasta continuava. Até que Truffaut, em meados dos anos 60,  teve a brilhante ideia de gravar uma entrevista com Hitchcock explicando seu cinema (ou "O Cinema") filme por filme, proposta por proposta, teoria por teoria. E depois converter tudo em livro.

E é ai que está a questão: não é simplesmente uma conversa com um gordo rico explicando seus filmes. É uma conversa (e talvez uma das maiores) sobre a essência do cinema, um testamento, uma carta de amor a tudo que esta maravilhosa arte representa. Pois Hitchcock é Cinema. 
Dali, começamos não só acompanhando a história de um jovem ingênuo subindo com sua carreira cinematográfica mas também a teoria por parte de todos os filmes através de toda a história do Cinema, praticamente. Afinal, foram fucking 53 filmes. 

Desde as coisas mais divertidas como as suas aparições nos filmes e piadas e acontecimentos malucos durante a gravação, até partes dramáticas como a pressão do estúdio e da mídia, com momentos sérios e teóricos, discutindo puramente a linguagem do cinema, com seu discurso sempre fiel: a priorização da imagem ao falado, a concentração de sentimentos em prol do suspense (o próprio espetáculo) e o visual enquanto invocador de sensações da platéia. Pois Hitch não fazia filmes apenas pra si, mas também pensava no público. O que o movimentava, além de se expressar, era o prazer pelo ato de fazer Cinema. É realmente lindo. 

Sua própria história quando criança, em que dizia não brincar com as outras crianças pois preferia ficar sozinho, armando suas próprias histórias (!!!). Sempre foi um manipulador, um contador de histórias. Um dos ápices do livro foi sua resposta rebelde aos críticos, dizendo que não ligava para verossimilhança, jogava-a no lixo - o que importava era o espetáculo, a imersão (e ele se dirige aos críticos como "nossos amigos verossímeis", numa alfinetada engraçadíssima). Pois o cinema é uma grande mentira. Ou como Truffaut definiu: "intensificador da vida". Puramente isso. 

Sua personalidade sempre espirituosa, interessado em discutir a obra, sem ilusões egocêntricas, sempre falando "nós fizemos...", e que, conforme a entrevista vai desenvolvendo, quebra as máscaras e ele se revela um ser profundamente sensível, puro artista e perfeccionista com a obra. 
Através do debate percebemos como Hitchcock era à frente do seu tempo. Sempre procurou inovar (e ele alega: "eu nunca me repito"), fazendo o gênero e as estratégias do cinema tomarem outra proporção. Seja nas novidade do esquema de roteiro como o MacGuffin, até suas trucagens, movimentos com a câmera inimagináveis e a esperteza de abordar temas (para época) chocantes como sexualidade, selvageria e amor subliminarmente. Para o mestre, o roteiro era o menor do cinema, o que importava era a câmera, a linguagem que faz o cinema a maior arte de todas (e ele realmente chega a dizer algo parecido com isso, durante o livro). 

Há, incluído na conversa, todo um olhar nostálgico em relação ao cinema nas décadas de 40 e 50, quando as pessoas se maravilhavam mais com as novidades, épocas dos grandes eventos de primeira exibição de um filme. Parecia tudo mais humano e divertido. 

O mérito também é que a conversa em torno de sua obra faz muitos de seus filmes tomarem outras proporções. Hitch é tão à frente do tempo que nem eu consegui entender perfeitamente Um Corpo que Cai pela primeira vez. E só fui perceber a genialidade da coisa (e minha burrice no primeiro julgamento) após as conversas e uma revisão. Atualmente é um dos meus 10 filmes favoritos. 

Ele é realmente um ser extraterrestre, parece de uma raça superior (e, não, não sou neonazista!). Ver o mestre se abrindo, falando sobre sua paixão é realmente envolvente e contagiante, dá até vontade de ver todos os filmes da história. Outros diálogos como o debate sobre Janela Indiscreta ou suas explicações sobre cada plano planejado expressando sua visão estão presentes. Enfim, não faltam passagens marcantes.
O final, sobre seus últimos momentos de vida (ainda tentando fazer filmes!!), é realmente tocante. Ali, ele simplesmente se revela, quebra a caricatura. Um ser realmente admirável. Um artista de "A" maior, um "sensível bárbaro" como outrora definiram, que depois de sua morte, o Cinema nunca mais voltou a ser mesmo.

Agora, licencinha que tenho 53 filmes pra ver ;)